Curso

Clinamen- desvios imprevisíveis- teóricos e artísticos

(O acontecimento que cria os seus precursores)

Epicuro pensou que um pequeno desvio na trajectória dos átomos podia ser responsável pela criação da vida; a noção desta ideia não determinista irá ser usada pela patafísica de Jarry e pelo dadaísmo de Marcel Duchamp.
No mesmo pressuposto, pode-se sair de muita tradição teórica mecanicista e determinista e dar conta de exemplos onde o imprevisto sai fora do curso das tradições e modas.
Nestas sessões iremos pegar, de forma um tanto aleatória, em exemplos teóricos e artísticos que “saem fora do baralho” fazendo jus ao desvio.
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Programa:

1- Um “não mais que o mínimo” (para que não seja tudo caótico) – marcas, traços e enigmas (rupestres, primitivos, clássicos e anti-clássicos).
Como Aristófanes e Luciano de Samósata também sacudiram mitos e meio mundo de ilustres.

2- Nas trevas do humano, mas sem pudores- o riso e o insano nos barbarismos medievais e os seus desabrochares latentes do pessimismo da Razão desassombrada em Goya.

3- Entre modelo-máquina e ideais liberais. A engrenagem da Sociedade Moderna pensada por Thomas Hobbes, um gigantesco Leviatã que também pode ser ironicamente sacudido por um Conto de um Tonel de Jonathan Swift.

Do mesmo modo, a tratadística estética que pode parecer seriamente dirigida a artistas é desviada em gozo social de catálogo de moda na “alta roda”.

4- A mancha como medium. Libertar a mão da vontade para divertir: “Uma mancha artificial é um produto do acaso com um pequeno grau de intenção” dizia Alexander Cozens. Leonardo da Vinci já recomendava as manchas como estímulo da fantasia e linhas e manchas irão continuar com Victor Hugo, seguindo pelo surrealismo em frottage de Max Ernst ou action painting de Pollock.

5- Quando o banal muda de lugar- O choque das letras e meta-palavrões da patafísica e trocadilhos de Duchamp eram mais gozos de “sprezzatura” que surrealismos a decifrar. O acaso encenado nos “ready mades corrigidos”, como se até estivessem submetidos à ciência do imaginário.

6- A pintura de Barnett Newman como Sublime revisitado de Heráclito e Longino numa modernidade em campo de cor – a baralhar os críticos americanos, chocando Plotino com Longino e chamando Nietzsche à baila.

7- Por último – Quando o próprio medium fica obsoleto e se torna estético – Christian Marclay e os objectos que se tornam sujeitos de performance. O som das velhas máquinas de projectar que se declina em buscas de utopias falhadas ou em felizes acasos com Tacita Dean.

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Datas: de 17 de Maio a 28 de Junho
Quartas-feiras das 18 às 20- Online – Zoom

Inscrições: secretaria do Ar.co
secretaria geral
Antigo Mercado de Xabregas, Rua Gualdim Pais, 1900-255, Lisboa
T +351 21 880 10 10

secretaria@arco.pt

horário normal
2ª a 6ª feira das 9h30h às 18h30h
2ª e 5ª feira extensão das 18h30h às 20h (excepto períodos de férias)