1- Um “não mais que o mínimo”

(para que não seja tudo caótico) – marcas, traços e enigmas- rupestres, primitivos, clássicos e anti-clássicos. Como Aristófanes e Luciano de Samósata também sacudiram mitos e meio mundo de ilustres.

“ESTREPSIADES (…) Mas por que razão esses fulanos olham para a terra? DISCIPULO Procuram o que está debaixo da terra. ESTREPSIADES Ah, com toda certeza estão procurando cebolas… Então, não procurem mais isso, pois eu sei onde as há grandes e bonitas… Pois esses outros, quem estão fazendo, tão inclinados? DISCIPULO Esses sondam o Érebo, até debaixo do Tártaro. ESTREPSIADES Por que é que o rabo está olhando para o céu? DISCÍPULO Está aprendendo astronomia por sua própria conta…” CORO: Salve, velho dos antigos tempos, admirador de palavras queridas das musas! (Voltando-se para Sócrates) E você, sacerdote de tolices sutilíssimas, conte-nos o de que está precisando, pois não atenderíamos a nenhum outro dos actuais sofistas de coisas celestes, com excepção de Pródico! A este por causa da ciência e saber e a você porque se pavoneia pelas estradas, lança os olhos de lado, anda descalço, suporta muitos males, e, por nossa causa, finge importância.. (ARISTÓFANES. As Nuvens, 358 – 363).

———————————————————
Pliny o Velho (23-79 c.e.) contou a história do pintor grego Protogenes que passou sete anos a trabalhar numa pintura do herói Ialysos com o seu cão. Durante este tempo ele comeu apenas feijões, para que as suas faculdades artísticas não fossem embotadas por um excesso de indulgência. No entanto, um aspecto do trabalho escapou-lhe. Por mais que tentasse, a espuma que vinha da boca do cão ofegante não parecia bem.
com ansiedade, pois ele visava a verdade absoluta na sua pintura e não um improviso, ele tinha-o apagado repetidamente, e mudado o seu pincel sem encontrar qualquer satisfação. Finalmente, enfurecido com a arte que era demasiado evidente, atirou a sua esponja ao ponto odioso, e a esponja deixou no quadro as cores que tinha apagado, dando o efeito exacto que pretendia, e o acaso tornou-se assim o espelho da natureza.
É uma história interessante, e nada sobre ela parece tão improvável. Excepto que Plínio menciona então que o pintor Nealkes fez exactamente a mesma coisa. Ele também atirou uma esponja a um quadro com raiva e, desta forma, conseguiu que a espuma que vinha da boca de um cavalo parecesse correcta.

Helen Frankenthaler (1928-2011) “a really good picture looks as if it’s happened all at once.” J Pollock: “I am Nature”

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Back to Top